É certo, que não podemos conhecer tudo sobre tudo ou, mesmo, o suficiente sobre
matérias que, sem o suspeitarmos, poderão assumir uma importância vital - como
é o caso, por exemplo, das questões do equilíbrio ecológico. E também é
verdade, que podemos utilizar um relógio, durante toda a vida, sem nada
sabermos a respeito do seu mecanismo. Todavia, não restam dúvidas de que uma
das finalidades da Educação é a de permitir-nos gerir melhor esta incompreensão
e dotar-nos de utensílios e competências, que nos permitam viver melhor no
nosso Mundo.
Assim, o conceito de Educação deve
ser entendido, nos dias de hoje, como uma forma de “libertar” as pessoas de
preconceitos e modos tradicionais de pensar e de levá-las a questionar o Mundo
e as coisas.
Há mesmo quem defenda, que pessoas
educadas são as que aprendem a pensar por si próprias, adquirindo uma
personalidade devidamente estruturada, não obedecendo cegamente a tudo e a
todos. Daí, que a Educação seja um fator de transformação social, de
consolidação da Democracia, de Justiça e de Liberdade.
Um cidadão educado não é só o que
foi treinado para assumir comportamentos socialmente “corretos”, mas o que é
capaz de ser criativo e que se pretende mais consonante com as especificidades
de um universo social em mutação cada vez mais rápida. A Educação, tal como
está concebida, na maioria dos casos, pretende como fim último “educar para a
domesticação” perpetuando o status quo.
Conscientes de que a Educação não é
um ato neutro, devemos manter a esperança de que a mudança é possível e apostar
na Educação como meio de transformação das sociedades.
Lamentavelmente, no limiar do século
XXI, encontramos ainda quem defenda “técnicas” de Educação, que transpõem
linearmente para a organização escolar os princípios tayloristas, tal como
acontece no texto escrito por Cubberley.
“As nossas escolas são, de certa
maneira, fábricas em que as matérias-primas (crianças) têm de ser moldadas e
transformadas em produtos para satisfazer as diferentes necessidades da vida.
As necessidades de fabrico derivam das necessidades da civilização do século XX
e é tarefa da escola construir os seus alunos de acordo com as instruções
recebidas. Para tal é necessário: boas ferramentas, maquinaria especializada,
avaliação contínua da produção, eliminação dos desperdícios na fabricação e
grande variedade dos produtos finais”.
Assim, ao continuarmos a encarar os
alunos como matérias-primas e produtos, ao remetê-los ao papel de objetos de
educação, estamos a ignorar características próprias da função da Escola
perpetuando processos de fabrico geradores de desperdícios, que terão como
corolário o insucesso. O que a Escola continua, em muitos casos, a ensinar,
hoje, pouco tem a ver com a realidade deste mundo de “guerras em direto”. Os
currículos estabelecidos e que pretendem definir o que o aluno deve e precisa
saber continuam a preparar gerações para o mercado do emprego e não para o do
trabalho.
Urge alterar este tipo de paradigma
de Escola. Os cidadãos do Séc. XXI terão necessariamente de ter competências
nas áreas da informação e comunicação, no raciocínio e resolução de problemas,
no pensamento crítico e sistémico, na identificação, formulação e resolução de
problemas, nas competências interpessoais e de colaboração e na interiorização
dos valores da democracia e cidadania participada.
São estas competências que terão de
ser a prioridade da Escola para os cidadãos do novo milénio. Um cidadão do
século XXI será tão mais livre quanto puder e souber utilizar a tecnologia da
comunicação e da informação.
Um exemplo gritante pode ser dado
com o que se passa na Coreia do Norte ou em Cuba onde o uso de internet ou é
completamente vedado ou fortemente limitado, logo, onde a Liberdade é ainda uma
“miragem”.”
Maria Paula
Branco
Diretora Executiva do Instituto para o Desenvolvimento Social (IDS)
Diretora Executiva do Instituto para o Desenvolvimento Social (IDS)
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