"No momento em que estudos recentes
demonstram que as empresas que investem em prevenção de riscos psicossociais
têm maior possibilidade de inverter a tendência de perdas anuais, de melhorar
os seus resultados e notoriedade no mercado e junto dos seus clientes e
parceiros, a Ordem dos Psicólogos Portugueses lançou o Prémio Healthy
Workplaces - Locais de Trabalho Saudáveis. Samuel Antunes,
vice-presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses e coordenador da Campanha e Prémio Healthy
Workplaces - Locais de Trabalho Saudáveis, em entrevista ao RHOnline, explica que “o
objetivo deste Prémio é reconhecer e distinguir as organizações portuguesas com
contributos notáveis e inovadores nesta área”.
O que é um local de trabalho saudável? Ou seja, quais as características que o tornam assim?
Um lugar de trabalho saudável é um espaço laboral que reúne um conjunto de características e condições capazes de potenciar as valências dos seus colaboradores, sem que estes coloquem em risco a sua saúde psicológica e física. No fundo, um local de trabalho saudável valoriza e promove a segurança, a saúde e o bem-estar dos colaboradores enquanto pilares fundamentais da produtividade e do desenvolvimento profissional, nomeadamente através da implementação de estratégias de prevenção e intervenção nos riscos psicossociais, como ostress ocupacional. E este é um dos processos onde a ação de um psicólogo pode, de facto, ser um valor acrescentado.
Em termos económicos é difícil tornar um local de trabalho saudável? Tem custos elevados?
Tornar um local de trabalho saudável e a atuação de um ou mais psicólogos neste contexto não pode ser olhado como um custo, mas antes como um investimento que tem resultados quase imediatos e concretos. Portanto, a questão financeira não é, nem nunca poderá ser utilizada como argumento para não se investir na saúde psicológica e bem-estar dos colaboradores. Os estudos têm demonstrado que o retorno do investimento em prevenção de riscos psicossociais varia entre 9€ e 13,62€ por cada Euro investido.
A ideia generalizada é que esta não é, ou não costuma ser, uma questão que as empresas têm em conta (refiro-me a tornar os locais saudáveis). Confirma-se?
O atual paradigma está a mudar. De facto, essa era uma realidade em muitos locais até há uns anos atrás, mas neste momento as empresas já começaram a compreender que “algo está errado e tem de mudar” e que a Psicologia não atua exclusivamente em contexto clínico e em situações limite, mas também nas mais diversas áreas, como a promoção da saúde em contexto organizacional e a prevenção dos riscos, do stress e da doença associadas ao contexto laboral. Atualmente, temos inúmeros casos de burnout, taxas de absentismo elevadíssimas e, igualmente grave, um número demasiadamente alto de situações de presentismo, ou seja, o colaborador vai trabalhar, mas sem estar em condições de produzir aquilo que seria normal e expectável. Obviamente que estas situações têm custos elevadíssimos para as empresas que, deste modo, começam a procurar e estudar soluções e a recorrer mais ao know-how dos psicólogos para inverter esta tendência que, como é natural, se acentua em alturas de crise.
Paralelamente, esta questão do local de trabalho saudável, também não deixa de ter uma forte componente de Marketing. Qual é a empresa que não gosta de ser vista no mercado e junto dos seus clientes e parceiros como um local de trabalho saudável?
Porque é que isto acontece? Por uma questão cultural?
Não acredito que seja por uma questão cultural, até porque as empresas em Portugal têm servido de exemplo em muitas situações diferentes e têm sido inovadoras em inúmeros casos. Os decisores sempre olharam para os números e resultados finais e estão a perceber que os números melhoram de acordo com a melhoria do bem-estar, da satisfação e motivação dos seus colaboradores e isso manifesta-se no aumento de produtividade e da qualidade, na redução dos acidentes de trabalho e até na redução do turnover. A produtividade aumenta sempre que um trabalhador tem bem-estar físico e psicológico no local de trabalho, se sente valorizado, respeitado e reconhecido pela sua hierarquia.
Em relação aos líderes e decisores, também estão sujeitos a um stress tremendo, principalmente nesta altura de crise, e também temos conhecimento de muitos casos de burnout, esgotamentos, etc. Para estes casos, também existem diversas ações e estratégias a tomar por parte das empresas para evitar que estas situações se verifiquem. Seja como for, por alguma razão as maiores e melhores empresas do mundo investem cada vez mais no bem-estar dos seus Recursos Humanos e recorrem cada vez mais aos serviços que a Psicologia tem para oferecer...
Quais podem ser as consequências de trabalhar num ambiente pouco saudável? Quais os principais problemas que daí resultam?
Se se verificar uma eventual subida da taxa de absentismo e/ou presentismo, aumento de casos de burnout, esgotamentos ou stress para além daquilo que é considerado normal, obviamente que a produtividade e, consequentemente, os resultados, descem. Depois, também temos o ambiente entre colaboradores que poderá não ser o melhor, com duplicação de trabalho, informações pouco claras, situações de conflito, falhas no cumprimento dos prazos, etc., que podem resultar, por exemplo, em eventuais fugas de informação e queda abrupta do índice de reputação da empresa no mercado que, consequentemente, reduz o seu valor.
E quais as vantagens para o colaborador e para a empresa?
As vantagens são inúmeras e, o mais importante, com resultados concretos e a curto-prazo. No que diz respeito aos trabalhadores, posso destacar algumas vantagens como a maior motivação, sentimento de reconhecimento, sensação de bem-estar psicológico e físico, maior produtividade e compromisso com a empresa. Ainda neste contexto, é importante sublinhar que as empresas portuguesas perdem anualmente cerca de 300 milhões de euros por causa de problemas relacionados com o stress e as doenças psicológicas dos seus colaboradores. Portanto, uma empresa que invista nesta área tem maior possibilidade de inverter a tendência de perdas anuais, de melhorar os seus resultados e notoriedade no mercado e junto dos seus clientes e parceiros."
O que é um local de trabalho saudável? Ou seja, quais as características que o tornam assim?
Um lugar de trabalho saudável é um espaço laboral que reúne um conjunto de características e condições capazes de potenciar as valências dos seus colaboradores, sem que estes coloquem em risco a sua saúde psicológica e física. No fundo, um local de trabalho saudável valoriza e promove a segurança, a saúde e o bem-estar dos colaboradores enquanto pilares fundamentais da produtividade e do desenvolvimento profissional, nomeadamente através da implementação de estratégias de prevenção e intervenção nos riscos psicossociais, como ostress ocupacional. E este é um dos processos onde a ação de um psicólogo pode, de facto, ser um valor acrescentado.
Em termos económicos é difícil tornar um local de trabalho saudável? Tem custos elevados?
Tornar um local de trabalho saudável e a atuação de um ou mais psicólogos neste contexto não pode ser olhado como um custo, mas antes como um investimento que tem resultados quase imediatos e concretos. Portanto, a questão financeira não é, nem nunca poderá ser utilizada como argumento para não se investir na saúde psicológica e bem-estar dos colaboradores. Os estudos têm demonstrado que o retorno do investimento em prevenção de riscos psicossociais varia entre 9€ e 13,62€ por cada Euro investido.
A ideia generalizada é que esta não é, ou não costuma ser, uma questão que as empresas têm em conta (refiro-me a tornar os locais saudáveis). Confirma-se?
O atual paradigma está a mudar. De facto, essa era uma realidade em muitos locais até há uns anos atrás, mas neste momento as empresas já começaram a compreender que “algo está errado e tem de mudar” e que a Psicologia não atua exclusivamente em contexto clínico e em situações limite, mas também nas mais diversas áreas, como a promoção da saúde em contexto organizacional e a prevenção dos riscos, do stress e da doença associadas ao contexto laboral. Atualmente, temos inúmeros casos de burnout, taxas de absentismo elevadíssimas e, igualmente grave, um número demasiadamente alto de situações de presentismo, ou seja, o colaborador vai trabalhar, mas sem estar em condições de produzir aquilo que seria normal e expectável. Obviamente que estas situações têm custos elevadíssimos para as empresas que, deste modo, começam a procurar e estudar soluções e a recorrer mais ao know-how dos psicólogos para inverter esta tendência que, como é natural, se acentua em alturas de crise.
Paralelamente, esta questão do local de trabalho saudável, também não deixa de ter uma forte componente de Marketing. Qual é a empresa que não gosta de ser vista no mercado e junto dos seus clientes e parceiros como um local de trabalho saudável?
Porque é que isto acontece? Por uma questão cultural?
Não acredito que seja por uma questão cultural, até porque as empresas em Portugal têm servido de exemplo em muitas situações diferentes e têm sido inovadoras em inúmeros casos. Os decisores sempre olharam para os números e resultados finais e estão a perceber que os números melhoram de acordo com a melhoria do bem-estar, da satisfação e motivação dos seus colaboradores e isso manifesta-se no aumento de produtividade e da qualidade, na redução dos acidentes de trabalho e até na redução do turnover. A produtividade aumenta sempre que um trabalhador tem bem-estar físico e psicológico no local de trabalho, se sente valorizado, respeitado e reconhecido pela sua hierarquia.
Em relação aos líderes e decisores, também estão sujeitos a um stress tremendo, principalmente nesta altura de crise, e também temos conhecimento de muitos casos de burnout, esgotamentos, etc. Para estes casos, também existem diversas ações e estratégias a tomar por parte das empresas para evitar que estas situações se verifiquem. Seja como for, por alguma razão as maiores e melhores empresas do mundo investem cada vez mais no bem-estar dos seus Recursos Humanos e recorrem cada vez mais aos serviços que a Psicologia tem para oferecer...
Quais podem ser as consequências de trabalhar num ambiente pouco saudável? Quais os principais problemas que daí resultam?
Se se verificar uma eventual subida da taxa de absentismo e/ou presentismo, aumento de casos de burnout, esgotamentos ou stress para além daquilo que é considerado normal, obviamente que a produtividade e, consequentemente, os resultados, descem. Depois, também temos o ambiente entre colaboradores que poderá não ser o melhor, com duplicação de trabalho, informações pouco claras, situações de conflito, falhas no cumprimento dos prazos, etc., que podem resultar, por exemplo, em eventuais fugas de informação e queda abrupta do índice de reputação da empresa no mercado que, consequentemente, reduz o seu valor.
E quais as vantagens para o colaborador e para a empresa?
As vantagens são inúmeras e, o mais importante, com resultados concretos e a curto-prazo. No que diz respeito aos trabalhadores, posso destacar algumas vantagens como a maior motivação, sentimento de reconhecimento, sensação de bem-estar psicológico e físico, maior produtividade e compromisso com a empresa. Ainda neste contexto, é importante sublinhar que as empresas portuguesas perdem anualmente cerca de 300 milhões de euros por causa de problemas relacionados com o stress e as doenças psicológicas dos seus colaboradores. Portanto, uma empresa que invista nesta área tem maior possibilidade de inverter a tendência de perdas anuais, de melhorar os seus resultados e notoriedade no mercado e junto dos seus clientes e parceiros."
[…]
Por: João Pinheiro da Costa
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