Sejamos sinceros. A qualidade da gestão não é algo de que nos possamos orgulhar em Portugal. E quando falamos de recursos humanos ainda mais longe estamos de um lugar de destaque.
Quantas vezes numa empresa esta é uma das primeiras áreas a ser atingida em período de crise? A situação piora quando a procura de emprego é maior. A alta taxa de desemprego cria a falsa perceção que tudo está bem na gestão do talento dentro de uma organização. Em períodos de crise, mesmo com cortes, mais impostos, menos rendimento e piores condições de trabalho existe uma tendência natural para a resignação do trabalhador e um desleixo de quem o gere.
Erro abismal. É nestas alturas em que a gestão dos recursos humanos é mais importante. A criação de uma maior afinidade entre o colaborador e uma empresa é feita em período de derrotas e não de vitórias. É nestas alturas em que o colaborador dá mais relevo aos valores da empresa e aos pequenos sinais que possam vir da gestão.
O mundo está cada vez mais pequeno. As distâncias, o preço das viagens, a língua, as novas tecnologias fizeram com que muitos países estejam logo ali ao virar da esquina. Vivemos num espaço económico único, onde as oportunidades são globais. Hoje, ir trabalhar para fora passou a ser encarado mais como um desejo do que como uma saída. Os nossos jovens estão mais preparados do que nunca. Temos universidades de topo, algumas com ensino totalmente em inglês e o reconhecimento internacional. Em termos de atração de recursos humanos competimos com o mundo. Reter o talento será na próxima década mais difícil do que nunca. Mesmo com o fim da crise e o aumento das oportunidades em Portugal os jovens olham cada vez mais para o mundo e menos para o nosso mercado.
Ser uma das melhores empresas para trabalhar vai deixar de ser um objetivo. Vai ser uma obrigação.
Excerto de um texto de João Vieira Pereira para a revista EXAME
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